Beira Meu Amor

A Beira foi o grande amor da minha vida. Recebeu-me com seis anos, em Novembro de 1950 e deixei-a, com a alma em desespero e o coração a sangrar, em 5 de Agosto de 1974. Pelo meio ficaram 24 anos de felicidade. Tive a sorte de estar no lugar certo, na época certa. Fui muito feliz em Moçambique e não me lembro de um dia menos bom. Aos meus pais, irmão, outros familiares, amigos e, principalmente, ao Povo moçambicano, aqui deixo o meu muito obrigado. Manuel Palhares

Archives
A minha fotografia
Nome:
Localização: Odivelas, Lisboa, Portugal

segunda-feira, março 27, 2006

Poeta e poema da semana - Bocage



Um ladrão, armado com uma pistola, abordou Bocage nas proximidades do Café Nicola e perguntou ao poeta:

- Quem és tu, donde vens e para onde vais?

Ao que Bocage respondeu:

- Eu sou o poeta Bocage
E venho do Café Nicola
E vou para o outro mundo
Se disparas a pistola.


**********************************************


Sempre tão conotado com anedotas e poesia erótica, Bocage passou um pouco ao lado das selectas e dos compêndios da minha geração, como um grande poeta que foi, exímio no soneto.
Agora, após o 2º centenário da sua morte(2005), parece que todos se preocupam em falar nele e publicá-lo. M.P.


**********************************************


Um pouco da sua biografia

Manuel Maria de Barbosa l´Hedois Du Bocage (Setúbal, 1765Lisboa, 1805), poeta português e, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano. Embora ícone deste movimento literário, é uma figura inserida num período de transição do estilo clássico para o estilo romântico que terá forte presença na literatura portuguesa do século XIX.
Nascido em
Setúbal a 15 de Setembro de 1765, falecido em Lisboa a 21 de Dezembro de 1805. Era filho do bacharel José Luís Soares de Barbosa, que foi juiz de fora, ouvidor, e depois advogado, e de D. Mariana Joaquina Xavier l’Hedois Lustoff du Bocage, cujo pai era francês.
Sua mãe era segunda sobrinha da célebre poetisa francesa, madame Marie Anne Le Page du Bocage, tradutora do Paraíso de Milton, imitadora da Morte de Abel, de Gessner, e autora da tragédia As Amazonas e do poema épico em dez cantos A Columbiada, que lhe mereceu a coroa de louros de Voltaire e o primeiro prémio da academia de Rouen.
Apesar das inúmeras biografias publicadas após a sua morte, uma boa parte da sua vida permanece um mistério. Não sabemos que estudos fez, embora se deduza da sua obra que estudou os clássicos e as mitologias grega e latina, que estudou francês e também latim. A identificação das mulheres que amou é muito duvidosa e discutível. (...) Wikipédia



Aqui fica um soneto de Manuel Maria Barbosa du Bocage.


A frouxidão no amor é uma ofensa

A frouxidão no amor é uma ofensa,
Ofensa que se eleva a grau supremo;
Paixão requer paixão, fervor e extremo;
Com extremo e fervor se recompensa.

Vê qual sou, vê qual és, vê que diferença!
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;
Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;
Em sombras a razão se me condensa.

Tu só tens gratidão, só tens brandura,
E antes que um coração pouco amoroso
Quisera ver-te uma alma ingrata e dura.

Talvez me enfadaria aspecto iroso,
Mas de teu peito a lânguida ternura
Tem-me cativo e não me faz ditoso.



Bocage

Odivelas, 27 de Março de 2006.

14 Comments:

Blogger diva dos sonhos said...

...um grande sonhador!!!

quarta-feira, março 29, 2006 11:46:00 da manhã  
Blogger coca-cola said...

Manel, Manel

Bocage não sou...convém
E minhas palavras leva-as o vento
Porque delas não tenho sustento
Embora me façam algum bem

Conheço-me agora como ninguém
Sei qual é o meu intento
E se chegar a ter merecimento
Seja por elas, meu querer bem

E com palavras passaria a tirana
Se o meu sonho realidade tornasse
Pra realizar vontade insana

Seria ter caneta que dourasse
A mediocre mente humana
Quando no papel a arrastasse

Um bom dia para ti Amigo
Beijinhos

quarta-feira, março 29, 2006 2:54:00 da tarde  
Blogger Manuel Palhares said...

Diva dos sonhos,

E sonhar não é bom?
Já fiz uma visita ao seu blog.
Cumprimentos,

Manel

*********************************

Coca-Cola,

Esse Manel, Manel, faz-me lembrar a "outra":

«Romeiro, romeiro! Quem és tu?» O romeiro, apontando com o bordão para o retrato de D. João de Portugal: «Ninguém.»
in, Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett

Mas, ia eu a dizer, obrigado pela tua colaboração.
Um bom fim de tarde e um óptimo serão é o que te desejo.
Um beijinho,

Manel

quarta-feira, março 29, 2006 5:32:00 da tarde  
Blogger matisfolle said...

Manel

Também me lembro do Romeiro e vou no próximo período escolar vou estudá-lo de novo.
Mas gostei muito quando o li a primeira vez só que chorei que nem desalmada...mas porque sou um frasquinho...eheheh.
Tem um bom dia.
Beijinhos

quinta-feira, março 30, 2006 11:49:00 da manhã  
Blogger Manuel Palhares said...

Coca-Cola,

Olá. Boa tarde.
E eu que vi o filme em miúdo também saí de lá cheio de pena da filha do casal.
Penso que percebi o teu "Manel, Manel" e aproveitei para fazer aquela observação.
E vais rever em breve esta obra! Parece que advinhei.
Recebeste o meu e-mail?
A "logo-tipo" da coca-cola não está a abrir. O que é que lhe fizeste?
Um beijinho,

Manel

quinta-feira, março 30, 2006 1:03:00 da tarde  
Blogger Era uma vez um Girassol said...

Gostei!
Bjs

sexta-feira, março 31, 2006 10:04:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Maneli.sabes ke Bocage, era o meu poeta favorito?
talvez por causa dos versos e me andarem a esconder sempre o livro com a sua poesia,,mas tem graça, as anedotas(?) dele, eram sempre referenciadas ...
Como o Padre Amaro!
Estou a reler, deliiciada!
Grazie
Bianita!

sexta-feira, março 31, 2006 10:47:00 da tarde  
Anonymous Mayra Meireles said...

MAGRO, DE OLHOS AZUIS




Magro, de olhos azuis, carão Moreno,

Bem servido de pés, meão na altura,

Triste de facha, o mesmo de figura,

Nariz alto no meio, e não pequeno;



Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura,

Bebendo em níveas mãos por taça escura

De zelos infernais letal veneno;



Devoto incensador de mil deidades

(Digo, de moças mil) num só momento,

E somente no altar amando os frades;



Eis Bocage, em quem luz algum talento;

Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.


Manel,
Não ficou muito "organizado", o soneto do Bocage que deixo aqui, nem mesmo o que escrevo agora. Porém, a minha seleção participativa, gostei demais: o Bocage, se autobiografando em versos.
Beijnhos amigo!
Mayra

sábado, abril 01, 2006 5:49:00 da manhã  
Blogger Manuel Palhares said...

AB,

O ingrato agradece.
Hoje chega o meu passarinho de Gent e o meu coração vai andar menos em sobressalto.
Bom fds e um beijinho,

Manel

*********************************

Mayra,

Gosto muito deste seu auto-retrato.
Muito obrigado pela tua valiosa participação.
Já não falamos faz tempo. Temos que converar.
Um bom fds e um beijinho,

Manel

sábado, abril 01, 2006 2:37:00 da tarde  
Blogger Manuel Palhares said...

Bianita,

Ai que nas respostas saltei o teu nome e tu não me vais perdoar.
Então com idade para bonecas, andava a ler Bocage às escondidas!!! Eu bem me parecia que eras precoce...
Hoje já falámos. Bom fds e um beijinho,

Manel

sábado, abril 01, 2006 2:41:00 da tarde  
Blogger matisfolle said...

Manel

Boa noite e Feliz Sábado

Vós, crédulos mortais, alucinados
de sonhos, de quimeras, de aparências
colheis por uso erradas consequências
dos acontecimentos desastrados.


Se à perdição correis precipitados
por cegas, por fogosas, impaciências,
indo a cair, gritais que são violências
de inexoráveis céus, de negros fados.


Se um celeste poder tirano e duro
às vezes extorquisse as liberdades,
que prestava, ó Razão, teu lume puro?


Não forçam corações as divindades,
fado amigo não há nem fado escuro:
fados são as paixões, são as vontades.

* * * *

Ó tranças de que Amor prisões me tece,
Ó mãos de neve, que regeis meu fado!
Ó tesouro! Ó mistério! Ó par sagrado,
Onde o menino alígero adormece!

Ó ledos olhos, cuja luz parece
Tênue raio de sol! Ó gesto amado,
De rosas e açucenas semeado,
Por quem morrera esta alma, se pudesse!

Ó lábios, cujo riso a paz me tira,
E por cujos dulcíssimos favores
Talvez o próprio Júpiter suspira!


Ó perfeições! Ó dons encantadores!
De quem sois? Sois de Vênus? — É mentira;
Sois de Marília, sois dos meus amores.

* * * *

Nariz, nariz, e nariz,
Nariz, que nunca se acaba;
Nariz, que se ele desaba,
Fará o mundo infeliz;
Nariz, que Newton não quis
Descrever-lhe a diagonal;
Nariz de massa infernal,
Que, se o cálculo não erra,
Posto entre o Sol e a Terra,
Faria eclipse total!

* * * *

Levando um velho avarento
Uma pedrada no olho,
Põe-se-lhe no mesmo instante
Tamanho como um repolho.

Certo, doutor, não das dúzias,
Mas sim do médico perfeito,
Dez moedas lhe pedia
Para o livrar do defeito.

"Dez moedas! (diz o avaro)
Meu sangue não desperdiço:
Dez moedas por um olho!
O outro eu dou por isso."


Já ri muito hoje à conta deste safado que era o Bocage.

domingo, abril 02, 2006 1:25:00 da manhã  
Blogger Manuel Palhares said...

Coca-Cola,

Obrigado pelo sábado que me desejaste. Já vamos nas 17h de domingo.
Mas que rica colaboração aqui deixas, com um toque de boa disposição. Era safado, engraçado e genial.
Um beijinho,

Manel

domingo, abril 02, 2006 5:03:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Amigo Manel
Por motivos de saude não tenho ido ás páginas, te deixo aqui o meu abraço carinhoso, a ti e aos teus, amanhã talvez te telefone, sim?
Amiga do coração
São Percheiro

domingo, abril 02, 2006 5:58:00 da tarde  
Blogger Manuel Palhares said...

Sãozinha,

A tua saúde é que eu quero ver melhorada. O resto tem tempo, pode esperar. Preocupa-te contigo, em pôr-te boa.
Um beijinho e um abraço dos três que gostam muito de ti.

Manel

domingo, abril 02, 2006 6:05:00 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home

/body>