Beira Meu Amor

A Beira foi o grande amor da minha vida. Recebeu-me com seis anos, em Novembro de 1950 e deixei-a, com a alma em desespero e o coração a sangrar, em 5 de Agosto de 1974. Pelo meio ficaram 24 anos de felicidade. Tive a sorte de estar no lugar certo, na época certa. Fui muito feliz em Moçambique e não me lembro de um dia menos bom. Aos meus pais, irmão, outros familiares, amigos e, principalmente, ao Povo moçambicano, aqui deixo o meu muito obrigado. Manuel Palhares

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quarta-feira, março 01, 2006

escrevam como vos apetecer


o monitor vazio em branco olha para mim à espera que eu converse com ele e eu a olhar para ele sem saber o que lhe dizer então ele pergunta-me porque estou tão bem disposto e eu digo-lhe que estou assim porque acordei para mais um dia bem disposto e sem dores ele olha para mim admirado como se isso fosse motivo para satisfação e diz olha queres deitar conversa fora? pois então começo por te dizer que acabou o carnaval e a partir de hoje já toda a gente leva a mal portanto põe-te a pau com a má disposição e a falta de sentido de humor dos portugueses e não te admires que com a tua habitual boa disposição e negligência nas maneiras ainda te dêem com uma cachaporra na cabeça e depois não te queixes tens a mania de andar sempre a cantarolar com um brilho nos olhos e um sorriso meio gozão nos lábios ainda não aprendeste a andar com ar de mal disposto e mau ao fim de quase 32 anos e depois não te lamentes então não sabes que em portugal deves fazer como os portugueses? e que modos são esses de escreveres assim em cima de mim? isso são lá maneiras de se escrever isso é lá português? ah aí é que te enganas digo-lhe eu isto é português do mais puro e moderno que há então não sabes que foi a escrever assim que um português ganhou o nobel prémio e outro que escreve do mesmo modo que ele disse logo que o prémio estava mal atribuído porque ele é que o devia ter ganho pois foi o primeiro a inventar esta moderníssima e maravilhosa maneira de lobo predador de mandar para baixo de braga a língua desses gajos como o camões, o alexandre, o camilo, o eça, o pessoa e outros gajos que não percebiam nada disto e que escreviam como eles e tinham a mania que sabiam dizer umas coisas para virgens sonhadoras ou matronas palpitantes


manuel palhares
odivelas 1 do março do zero 6

9 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Manel
Que mau feitio teu computar mostrou!!!!!!!!!!!!!!!
Comportou-se à antiga portuguesa.
Quem diz que portugueses são tristes?
Lá porque na rua a mascara nunca tiram, mas por onde passam deixam um rasto do saber conviver, acolher e gostar de andar no "forrobodó", como dizia minha Mãe, sempre com um sorriso no rosto...
Não somos portugueses de primeira, como se dizia antigamente?
Mantêm o teu sorriso feliz e maroto, põe no ecrã um outro, para que ele aprenda o que são na verdade, portugueses que se prezam. Os outros não sabemos se são de fiar, para dignificar a terra e língua de Camões.
Com um sorriso tinha que te dizer, que gostei da conversa que me soube tão bem ler, pois passo a vida a dizer aos meus pequenos alunos:
- Põe uma cara alegre, feliz, alguém te está a bater, senão desato eu a chorar.

Um beijinho da Isabel

quarta-feira, março 01, 2006 5:01:00 da tarde  
Blogger Era uma vez um Girassol said...

Como matrona palpitante te respondo dizendo em português moderno e incompreensível que me estou nas tintas para aqueles que ganham prémios assim poupam nas virgulas acentos travessões e no fim são uns sensaborões... melhor chatos.
Bjinho

quarta-feira, março 01, 2006 5:42:00 da tarde  
Blogger Manuel Palhares said...

Isabel,

Obrigado pela visita.
Não sei se ainda te recordas mas tempos houve nos quais os portugueses que lá nasciam foram considerados cidadãos de segunda e os naturais com a instrução primária eram chamados de assimilados.
Este texto é só uma brincadeira para sair da rotina.
Um beijinho,

Manel

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AB,

Olá minha amiga. Obrigado pela visita e pelo teu comentário. Isto, como muito bem sabes, foi só uma brincadeira para desopilar o figado.
Um beijinho,

Manel

quarta-feira, março 01, 2006 6:04:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Sabes Palhares, os portugueses são uns tristes e eu acho (que peneiras...) que nós lhes ensinamos alguma coisa com a nossa maneira de estar e viver que apesar dos 32 anos passados não perdemos a alegria e boa disposição e realmente olhamos pra frente e estamo-nos a "borrifar" para alguns pesudo-escritores que por aí há.Um beijo MManuel

quarta-feira, março 01, 2006 9:17:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Manel
Foi exactamente com um certo sarcasmo que aqui pus a frase "Não somos portugueses de primeira",
...portugueses que lá nasciam foram considerados cidadãos de segunda e os naturais com a instrução primária eram chamados de assimilados... pois quem esquece afrontas ao bom senso e à inteligência?
Fizeste bem dizer pois explica o que quis referir, há muitos que nunca se aperceberam.
Um abração da Isabel

quinta-feira, março 02, 2006 12:30:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Olá Manuel

Aqui de volta! Gostei muito do que li, e com essa leitura comecei a rir aqui para minha tela.
És um homem incrivel. Deus te proteja.

Beijos
Mariazinha

quinta-feira, março 02, 2006 2:48:00 da manhã  
Blogger Manuel Palhares said...

Maria Manuel,

Estou de acordo contigo. Este país mudou e muito com a nossa vinda para cá. Todavia ainda continua muito cinzento e deprimido para o meu gosto.
Quanto às experiências com a nossa língua, só te digo que quem os traduz, no estrangeiro, deve ser génio.
Um beijinho,

Manel

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Isabel,

Tens toda a razão no que dizes. Só tentei dar ênfase às tuas palavras.
Um beijinho,

Manel

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Mariazinha,

Muito bem-vinda minha amiga, aí do outro lado do Atlântico.
Muito obrigado por tão simpáticas e amáveis palavras.
Que Deus te proteja também a ti, bem como a toda a tua família e amigos.
Um beijinho,

Manel

quinta-feira, março 02, 2006 7:21:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Manel estou espantada
Com tamanha exactidão
Li tudo duma assentada
Fiquei mal do coração

Precisei do oxigénio
Quando cheguei ao final
Mas estás certo, és um génio
Escreves de forma natural

Portugueses de primeira
Não fomos considerados não
Mas não fosse à nossa maneira
Portugal continuava no chão

Trouxemos a nossa escola
Pra quem no continente vivia
Se não fosse a nossa "mola"
Este país não progredia.

Beijinhos e bom fim de semana

"uma nacionalizada"

sexta-feira, março 03, 2006 12:06:00 da tarde  
Blogger Manuel Palhares said...

Coca-cola,

Que espanto,
Que maravilha,
Saber escrever
E responder assim.

Estou estupefacto,
Estou aparvalhado,
Que ainda não caí em mim!

Obrigado, bom fim-de-semana e um beijinho,

Manel

sexta-feira, março 03, 2006 5:21:00 da tarde  

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