Beira Meu Amor

A Beira foi o grande amor da minha vida. Recebeu-me com seis anos, em Novembro de 1950 e deixei-a, com a alma em desespero e o coração a sangrar, em 5 de Agosto de 1974. Pelo meio ficaram 24 anos de felicidade. Tive a sorte de estar no lugar certo, na época certa. Fui muito feliz em Moçambique e não me lembro de um dia menos bom. Aos meus pais, irmão, outros familiares, amigos e, principalmente, ao Povo moçambicano, aqui deixo o meu muito obrigado. Manuel Palhares

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Localização: Odivelas, Lisboa, Portugal

sábado, janeiro 28, 2006

Ó meu amor...


Ó meu amor...
Eu sei que fui eu que te deixei.
No meu peito prevalece a dor
Desse doce ser que tanto amei.
Perdoa-me não ter ficado...
Como vês, estou só e abandonado
Apátrida até, nesta guerra da vida.
Estou só meu amor,

E estou tão velho e tão cansado.
Tu continuas bela e linda
Nesse teu jeito gaiato e gingão.
No baloiçar do teu corpo vai o ritmo
Batucando com os ruídos do sertão.
Ó meu amor...que saudades...
Mas sabes, meu amor sabes,
Como é que mato tanta dor,
Como amordaço as saudades?
Espreito-te todos os dias,
Escondido para não me veres,
Aproveito novas técnicas...
Estas coisas que inventaram
E que aproximam os amores:
A que os sábios chamam computadores!
E agora, com a dor no coração
E com a alma rasgada e os olhos marejados
Vou sozinho carpir esta dor, meu amor.
E para que ninguém saiba e ninguém veja...
Para que só eu ...sozinho fique...
Adeus, adeus meu amor,
Adeus Moçambique!



Manuel Palhares

Odivelas, 15 de Julho de 2005.

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